MAC Paraná completa 51 anos com grande programação; leia entrevista com a diretora da museu, Ana Rocha
25/03/2021 - 09:35

Neste mês de março, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná completa 51 anos de existência. É mais de meio século de história como espaço de formação para artistas e críticos; como aliado no ensino das artes para professores e alunos; e como espaço diverso, inclusivo e plural de acesso à arte para o grande público.

Para os próximos meses, o MAC Paraná tem programados diversos projetos e atividades, como o tradicional Salão Paranaense de Arte Contemporânea, a exposição da artista Dulce Osinski e ações online para discutir a arte indígena contemporânea no Paraná, entre outros temas. Está sendo fechada, ainda, uma parceria com universidades do Paraná para o projeto de abrangência estadual Possíveis Conexões, no segundo semestre.

A programação fortalece os objetivos da atual gestão do museu, dirigido pela curadora e produtora Ana Rocha (leia entrevista abaixo), de torná-lo cada vez mais inclusivo, diverso e plural. “A ideia de um museu vivo, em constante processo de transformação, é, pra mim, o que define um museu de arte contemporânea”, explica Ana Rocha. “Ele nunca terá um escopo completamente definido e deve estar atento e em diálogo com as questões urgentes da sociedade.”

 

Destaques da programação

Entre os destaques da programação para os próximos meses está a exposição do Salão Paranaense de Arte Contemporânea. Em sua 67ª edição, o Salão vem de encontro com uma revisão sobre a coleção do museu e lacunas que nela existem, com o objetivo de ampliar a diversidade e a pluralidade de vozes representadas nesse acervo. Com edital aberto a artistas brasileiras e brasileiros de todo o território nacional, o Salão, de maneira inédita, valorizou e incentivou a inscrição de grupos que sofrem discriminação baseada em raça, gênero, etnia, cultura e pessoas LGBTQI+.

Outro projeto pautado pelas atuais diretrizes é o Possíveis Conexões, uma grande exposição-laboratório em que todas as atividades que compõem a criação de uma mostra serão transformadas em cursos abertos a centenas de estudantes de artes de todo o Paraná e à comunidade em geral. O resultado desse processo será uma grande mostra que trará visibilidade à produção universitária estadual, prevista para 2022.

A produção da pintora, desenhista e gravadora paranaense Dulce Osinski também vai ganhar duas exposições promovidas pelo MAC Paraná. Uma será dedicada a novos trabalhos da artista de Irati, com curadoria de Benedito Costa Neto, e a segunda realizará um resgate histórico de sua importante produção.

 

A artista Dulce Osinski.
A artista Dulce Osinski. (Foto: Divulgação)

 

Em constante transformação

Nos últimos meses, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná também promoveu uma série de ações online para levar arte ao público durante o período de isolamento social. Além de valorizar seu acervo por meio das redes sociais, o MAC Paraná foi escolhido o representante brasileiro da exposição online Do It Home, promovida pelo Independent Curators Intl e com curadoria de Hans Ulrich Obrist. Nesse programa, o público teve contato com uma série de instruções de artistas como Olafur Eliasson, BTS e Jota Mombaça para produzir obras de arte e se desconectar, por alguns momentos, da vida digital.

Dando continuidade às ações culturais online, o museu irá promover, nos próximos meses, uma série de encontros para discutir temas pertinentes à arte contemporânea -- da arte indígena contemporânea no Paraná a uma discussão sobre curadoria e a relação entre museus e universidades.

Dessa forma, o MAC Paraná se fortalece como museu que tem a missão de estabelecer um diálogo crítico entre passado e presente, culturas e territórios; promover o encontro entre os públicos e a arte por meio de experiências inclusivas e transformadoras; e ampliar, pesquisar, preservar e difundir seu acervo, cada vez mais diverso e plural.

 

Aniversário online

Para marcar os 51 anos da instituição, o MAC Paraná publica em seu perfil no Instagram uma série de depoimentos de artistas, críticos, ex-funcionários e do próprio criador do museu, o artista Fernando Velloso. Por meio dos depoimentos, constrói-se um panorama crítico sobre o passado, o presente e o futuro do museu.

 

Leia a seguir entrevista com a diretora do MAC Paraná, Ana Rocha:

 

A diretora do MAC Paraná, Ana Rocha, em retrato de Ricardo Perini.
A diretora do MAC Paraná, Ana Rocha. (Foto: Ricardo Perini)


Depoimento de Ana Rocha:


A presente edição do tradicional Salão Paranaense é um marco importante na tarefa de tornar o museu mais plural -- e um dos pontos centrais da sua gestão. Quais são as ideias e motivações por trás dessa ação?
O formato do 67º Salão Paranaense começou a ser pensado no final de 2019. Por conta da pandemia, tivemos que repensar tudo desde o zero: como realizar uma exposição e um processo seletivo que depende de muitas discussões de forma totalmente remota? E foi daí que foi sendo desenhada a proposta de dividir as inscrições em categorias de apresentações possíveis durante a pandemia, sem esquecer das obras que precisam do espaço físico para acontecerem.

A necessidade de tratar da questão da diversidade do acervo e nas ações programáticas do MAC ficou evidente quando, em 2019, iniciamos um processo de revisão da história do museu, levantando dados sobre o acervo, as exposições e as políticas de aquisição, exposição e gestão de acervo. Nesse processo, constatamos que a coleção do MAC é formada majoritariamente por obras de artistas homens e brancos. O que não é exclusividade do MAC Paraná, mas um problema sistêmico das coleções de museus pelo mundo. E como um museu que tem como uma de suas missões preservar a memória da arte brasileira, a partir dos dados levantados entendemos que é preciso ampliar as vozes dessa história que vem sendo contada pelo museu.

 

Quais são outros conceitos importantes que você busca trazer para o Museu de Arte Contemporânea e que considera fundamentais em um museu do nosso tempo?
A ideia de um museu vivo, em constante processo de transformação, é, pra mim, o que define um museu de arte contemporânea. Ele nunca terá um escopo completamente definido e deve estar atento e em diálogo com  as questões urgentes da sociedade. O Museu de Arte Contemporânea é um museu que, mesmo com um acervo histórico, está de olho no futuro.

 

Antes de assumir a direção do museu, você atuava como produtora e curadora de exposições. O que a atrai nessas duas formas de atuação nas artes?
Tanto a produção quanto a curadoria nos permitem estar em contato com os processos artísticos. Na curadoria podemos dialogar com os e as artistas e pensar juntos as relações possíveis na recepção do trabalho de arte. Já na produção, é possível participar de soluções técnicas e acompanhar passo a passo a execução de propostas artísticas. E estar perto do processo dos e das artistas é o que me atrai.

 

Apesar desse trabalho de uma década, dirigir uma instituição tem outra dinâmica, como você mesma já afirmou. Como está sendo a experiência de pensar os rumos de um museu?
Ser diretora do MAC, neste momento, quando o museu completa 51 anos, durante a pandemia do coronavírus, em meio às questões urgentes desse início de década, é estar em constante processo de revisão. A dinâmica é muito diferente da gestão de projetos, que tem por definição começo, meio e fim. Os processos dentro do museu são constantes e de longa duração. As exposições continuam sendo pensadas como projetos individuais, mas fazem parte de um grande projeto de curadoria e gestão de quatro anos.

 

O MAC Paraná convidou pessoas relacionadas ao museu -- do seu fundador, Fernando Velloso, a artistas, críticos e ex-estagiários -- para gravar uma mensagem sobre o valor da instituição, sua história pessoal com ela e desejos para o futuro. Qual é a mensagem que você gostaria de deixar para o MAC Paraná?
Meu desejo é que o MAC siga como um museu dos e das artistas, uma casa para dar o primeiro impulso aos jovens e preservar as histórias dos e das artistas que são parte da nossa história. Um espaço de experiências transformadoras desde a primeira visita com a escola até a visita de curiosos pela internet.

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