Aniversário de Dalton Trevisan – O vampiro de Curitiba
14/06/2022 - 17:28

Os curitibanos cresceram em volta de histórias de figuras muito importantes e emblemáticas que nasceram, cresceram ou fizeram da capital paranaense a sua morada. Dentre elas, um dos mais misteriosos sem dúvida é Dalton Trevisan. Nascido em 14 de junho de 1925, Dalton Jérson Trevisan, advogado e escritor curitibano, ficou famoso por seus livros de contos, especialmente “O Vampiro de Curitiba”, o qual lhe rendeu o apelido de “vampiro de Curitiba”, sobretudo por conta da sua personalidade muito reservada. Celebramos hoje o seu 96º aniversário.

Avesso às fotografias e até mesmo à divulgação de seu nome, Dalton sempre buscou – e ainda busca – manter-se muito longe dos holofotes, evitando inclusive dar entrevistas. Mas o legado que ele deixou para a literatura brasileira não permite que seu nome seja esquecido. Desde que era aluno de Direito na Universidade Federal do Paraná, na década de 40, o autor divulgava seus contos em folhetos e, em 1945, lançou “Sonata ao luar”, obra que foi posteriormente renegada por ele, assim como “Sete anos de pastor”, de 1948. Logo, o primeiro trabalho devidamente reconhecido por ele foi “Novelas nada exemplares”, de 1959, que rendeu a Dalton o prêmio Jabuti. Outras obras posteriores foram premiadas, tais como “A polaquinha”, “Morte na praça”, “Noites de amor em Granada” e “Cemitério de elefantes”.

Arte: Maria Eduarda de Lima Dunker
Aniversário de Dalton Trevisan – O vampiro de Curitiba. Arte: Maria Eduarda de Lima Dunker

Revista e filme
Dalton também atuou como editor da revista “Joaquim”, publicada entre os anos de 1946 e 1948. Seus trabalhos literários também passaram para as telas de cinema em 1975. O diretor Joaquim Pedro de Andrade utilizou o livro “A guerra conjugal” (1969) para fazer uma película homônima. No ano de 1996, ele ganha o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura, recebido pelo conjunto de sua obra. Já em 2003, ganhou o 1º Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, premiado pelo livro “Pico na veia”. O autor tem seus livros traduzidos para idiomas do mundo todo.

Mas o apelido de “vampiro de Curitiba” vem de uma figura da sua ficção – o quarto livro de sua produção “oficial” – aquela que exclui as obras renegadas pelo autor – chama-se “O vampiro de Curitiba”, lançada em 1965. Em parte, a origem da alcunha de Dalton Trevisan é decorrente das estratégias do autor em sua inserção no campo literário. Sua aversão a fotos e entrevistas contribuiu para que a imagem do vampiro e do autor se confundisse, e essa confusão foi muito alimentada pela imprensa, que reforçou essa aura de mistério que permeia a vida do escritor e acabou por fixar tal alcunha com veemência.

Por fim, nos resta agradecer pela digna e honrosa representação de Curitiba no cenário literário mundial. Desejamos a Dalton um aniversário excelente, repleto de agradáveis formas de comemoração, das quais, graças ao seu mistério, acredito que jamais saberemos ao certo quais são.

Este texto foi escrito por Francine Gehring Martinez, residente técnica e historiadora da COSEM, e revisado pela museóloga Raisa Ramoni Rosa.

Referências

https://fabriciomuller.com.br/wp/?p=4073

https://ims.com.br/por-dentro-acervos/dalton-trevisan-um-ruminante-do-estilo-por-elvia-bezerra/

https://www.infoescola.com/biografias/dalton-trevisan/

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